quarta-feira, 19 de novembro de 2008

TREINADOR

Ao longo da época, mais do que o trabalho táctico cabe ao treinador gerir emoções. Estar à frente de 22, 23 homens, cada um com uma idiossincrasia definida e própria, é muito complicado. Cada atleta é um ser pensante diferente do outro. Ao jogarem 11 jogadores e 7 ficarem no banco, 5 jogadores (às vezes mais) não são chamados para o jogo. É aí que normalmente começam os problemas. Se um treinador não souber gerir a situação, pode o grupo virar-se contra si. Há várias formas de solucionar o problema, apesar de nenhuma ser melhor ou pior do que uma outra. Há quem utilize a convocatória de 19 jogadores, sendo o que fica de fora num jogo, é titular no seguinte. Nestes casos, a equipa tem que ser muito equilibrada, e qualitativamente muito homogénea, em que se tenha a certeza que entre ou saia um atleta, sem que o grupo se ressinta a nível de qualidade.Outros treinadores convocam todos os atletas ao seu dispor, para que, todos eles, se sintam parte integrante do grupo, independentemente de jogarem o não.
O apoio sentido por parte de quem fica de fora poderá ser caracterizante da "estaleca" psicológica do atleta, e da sua solidariedade para com o grupo. As chamadas "azias" não se vêem. Sentem-se. Só um treinador perspicaz a pode "cheirar". Sou da opinião que um jogador ao demonstrar em grupo a sua insatisfação pelo facto de não jogar ou nem sequer ir para o banco, não é aquele que cria problemas. O pior é se o faz em grupinhos ou fora do balneário. Esses sim, são os mais problemáticos e mais difíceis de identificar. Depois há o saber gerir a rotação de jogadores. Todos, mas todos devem perceber a mensagem que a qualquer momento podem entrar na equipa e o técnico deve dizê-lo vastas vezes, e em consequência, cumpri-lo. O pior que se pode fazer a um jogador é enganá-lo. Aí perde-se o atleta, o grupo sente isso e facilmente começa a desconfiar do treinador. Se isso acontecer, "adeus viola". Se, se cumprir com o prometido, o jogador sente que há coerência do discurso para a prática e trabalha sempre com a convicção, que mais cedo ou mais tarde, a sua vez chegará.

Um treinador deve ser o grande defensor do grupo. Ninguém, mas NINGUÉM, pode atingir o grupo de trabalho. Nem dirigentes, nem outros treinadores, nem mesmo um ou outro atleta. No dia em que o jogador pressentir que o treinador age a pensar em si, é o fim.

Que dizer ao intervalo de um jogo?
Nada, ou quase nada. O descanso é fundamental. Perder energias com discussões nos 10/15m do intervalo é desgastar física e psicologicamente a equipa. Os primeiros 5, 8m, devem ser de silêncio, descanso absoluto e hidratar os atletas. Com voz calma e em tom baixo, deve o treinador apontar um ou outro pormenor negativo ou positivo, sempre com uma palavra de compreensão ou até de reforço positivo. Se eventualmente quer mudar o sistema táctico, deverá simplesmente colocar em quadro as "peças" do novo modelo de jogo e relembrar o trabalho feito em treinos anteriores. Muito discurso e palavras sem fim, são informação a mais para tão curto período de tempo. O, ou os, jogadores substituídos nesta pausa, ou no decorrer da 1ª parte, devem, quanto a mim, merecer um palavra do treinador sim, mas no próximo treino. Justificar uma decisão opcional é dispensável, mais a mais quando a pausa é curta.

Um jogador nunca está acima do grupo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sistema de Jogo

Hoje trago aqui um artigo sobre o sistema de jogo que mais aplico na minha equipa, apesar de gostar imenso do 4x4x2, e do qual eu falarei em outra ocasião. Os jogadores que actualmente compoem o plantel tem caracteristicas melhores para o este sistema.

Atenção que estou a falar de sistema de jogo e não de modelo como muita gente confunde mas são coisas distintas.




Constituição do Sistema 1x4x3x3:

1 Guarda Redes; 4 Defesas (2 Laterais e 2 Centrais), 3 Médios (1 Médio Defensivo e 2 Médios Interiores) e 3 Avançados (2 Alas e 1 Ponta de Lança).

Variantes:
Verificam-se essencialmente na organização dos jogadores da linha média. Assim sendo, para além da opção pelo triângulo de meio campo 1:2 (como na figura), pode ser utilizada uma configuração 2:1 (com dois médios centro mais recuados e um médio centro mais ofensivo no vértice deste triângulo).
- variação para o sistema 1x4x2x3x1 (a abordar nos próximos artigos).


Considerações Gerais:
Este é um sistema bastante em voga na actualidade, visível em muitas equipas não só ao nível das competições nacionais e internacionais , mas o tempo tende a variar para o 4x4x2. A razão para esta "proliferação", se assim lhe podemos chamar, tem a ver quanto a mim, por um lado, com os muitos casos de sucesso de equipas que jogam normalmente neste sistema (tendência para se seguir o sucesso) e, por outro, pela ocupação racional do espaço que este sistema garante, mais do que qualquer outro. Assim, do ponto de vista da organização e dinâmicas de jogo, o 1x4x3x3 permite uma fácil assimilação de princípios de ocupação do espaço, principalmente no que se aplica à organização ofensiva (amplitude de jogo garantida pela utilização de 2 alas). Relativamente a outros sistemas, a amplitude garantida pela utilização de alas retira obviamente poder de finalização na àrea (apenas 1 Ponta de Lança) e, se o processo defensivo não for devidamente cuidado, os 3 médios centro poderão ser poucos para a "luta" na zona vital do campo. Estes aspectos são obviamente suprimidos por dinâmicas de mobilidade e permutas (a atacar) e de equilíbrio e coberturas (a defender), para além da inteligência táctica indispensável nas transições - importância do processo de treino.


Aspectos Particulares:
Os 3 médios são peças fundamentais do sistema. A sua mobilidade pode permitir que apareçam em zonas de finalização mas, por outro lado, o médio defensivo terá obrigatoriamente de garantir cobertura aos colegas, para fechar espaços deixados em aberto e garantir equilíbrio numa possível transição defensiva. Os alas têm também um papel preponderante. Se por um lado devem ser rápidos, ágeis, fortes no 1x1 e evoluídos tecnicamente (conduzir, fintar, cruzar, rematar....), devem também, por outro, ter a capacidade de mudar rapidamente de atitude em processo de transição e garantir que se fecham espaços a defender - o 1x4x3x3 oscila, ou deve oscilar, para um quase 1x4x5x1 pressionante e compacto aquando da perda da bola.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

METODOLOGIA DO TREINO

Metodologia do treino técnico-táctico

Conceitos e preconceitos

No treino global duma equipa de futebol todos os sectores, princípios e fundamentos são importantes, tornando-se difícil eleger um deles como o mais marcante, ou imprescindível, ao qual deve ser dada maior importância, no sentido de ser melhor ou mais aturadamente trabalhado.
Contudo, se tivermos que atribuir uma importância funcional diferenciada ela recairá por certo no apuro técnico-táctico por ser o eixo fundamental do jogo e o motor de desempenho essencial da equipa em campo.
Ao fim e ao cabo tudo se movimenta em torno deste binómio, constituindo-se os restantes elementos em factores de alicerce indispensáveis, embora funcionando mais como partes essenciais de um todo e não o cerne fundamental do envolvimento geral duma equipa.

Ao longo dos tempos os esquemas de trabalho foram proliferando, funcionando quase sempre a razão e o status de cada momento ao sabor das modas da ocasião, pouco importando que os resultados possam consagrar ou não os esquemas em uso, sendo mais fácil e tradicional a via punitiva do treinador, que não soube interpretar com acerto a moda em curso, já que o “castigo”, a recair sobre meia dúzia jogadores da equipa – muitas vezes o cerne da questão – sempre se mostrou, e mostrará, uma via difícil, cara e pouco consentânea com a perspectiva de necessidade de outros resultados no jogo seguinte.
Hoje em dia as novas modas continuam a ditar as suas regras, porque há sempre alguém que se rebela contra os consensos instituídos, criando uma nova ordem que fará escola e nova razão, até que outro “revolucionário” se decida a romper o alinhamento da última certeza e procure instituir outra.
No fundo, o futebol não diverge muito da evolução natural das coisas, onde o que hoje é verdade amanhã é mentira, ou no mínimo, menos verdade.

Sem pretender revolucionar o que quer que seja, atrevo-me a percorrer um espaço de transcendente importância e, nesse sentido, sujeito a uma enorme multiplicidade de opiniões, conceitos e preconceitos.
Refiro-me à metodologia do treino técnico-táctico, ou seja, a determinação dos melhores caminhos que hão-de conduzir os atletas à compreensão e integração dos elementos de trabalho propostos ao longo de semanas e meses, tornando possível exprimir posteriormente o jogo na sua globalidade, segundo as ideias e os conceitos do treinador.
Algumas regras que aqui se pretendem abordar são aplicáveis quer à condição técnica quer ao entrosamento táctico, até porque a primeira cabe na segunda, colhendo dessa sobreposição múltiplos benefícios.

Aqui há tempos um amigo meu que é treinador de futebol convidou-me para ir assistir a um treino da equipa que na altura estava a orientar. Entre vários exercícios desenvolvia-se um em que quatro jogadores, partindo da linha de meio campo, progrediam pela ala direita numa troca de bola vistosa – praticamente quase sempre ao primeiro toque – desenhando um determinado esquema pré determinado e de belo efeito visual. O exercício desenvolvia-se em grande velocidade com os jogadores a percorrerem, numa corrida desenfreada, um figurino previamente traçado, sem qualquer oposição, terminando com um remate à baliza deserta, desferido da zona frontal. Registe-se que, mesmo sem guarda-redes, alguns remates saíram ao lado… Esta última e estranha circunstância fica, em parte, a dever-se a rotinas e evoluções simplificadas, onde as propostas de trabalho se resumem a memorizar percursos e a uma diminuta participação activa na representação criada.
Em conversa no dia seguinte, referindo-se àquele exercício, o meu amigo perguntava-me:
“Então o que achaste daquele exercício?”
“Achei que foi um razoável treino de velocidade, uma coreografia interessante, de mistura com alguns elementos técnicos, embora incipientes…”
“Não! Aquilo foi um ensaio de um esquema táctico. Uma progressão organizada pela ala direita.”
– respondia-me o meu amigo, corrigindo-me.
Meio na brincadeira ainda retorqui:
“Pois. Mas o adversário era fracote…” – ante alguma perplexidade do meu amigo.
“Adversário? Qual adversário?
“Aquele contra o qual os quatro jogadores jogavam…”


É um pouco à volta deste exemplo que nos queríamos deter, chamando à atenção para um erro crasso que é cometido com alguma frequência.
Neste caso, propus ao meu amigo a realização de um pequeno teste, que ele aceitou de bom grado.
No dia seguinte repetiu-se o mesmo exercício. Só que desta vez foi colocado apenas 1 jogador com características defensivas a meio do percurso com a missão de procurar dificultar aquela acção esquemática ofensiva. Um jogador apenas.
Em 6 exercícios, 2 falharam: um foi interceptado pelo único jogador com carácter defensivo e o outro ocorreu num passe errado em que a bola foi enviada para fora por acção de pressão do mesmo jogador.
Ou seja; com apenas 1 jogador contra 4 atacantes o “esquema táctico” falhou em 33%.
De seguida colocaram-se 2 jogadores com idêntica função de procurar dificultar a acção ofensiva em questão.
Em 10 exercícios 6 falharam: 3 foram interceptados e os ouros 3 resultaram em passes errados por acção pressionante dos defesas. Ou seja; com 2 jogadores contra 4 o “esquema táctico” falhou em 60%.
Quando me preparava para propor um 4X4 final e mais esclarecedor ainda, o meu amigo atalhou:
“Chega! Já percebi. Ontem estivemos a perder tempo.”
“Não terá sido bem assim. Qualquer movimentação com bola e deslocação dos jogadores, segundo um determinado figurino, obtém um ganho técnico mínimo que seja, dependendo da complexidade e esquema do exercício. Contudo, em termos tácticos, o ganho é nulo.
Mas o verdadeiro treino técnico-táctico ia começar agora…”
– informei eu.

Com alguma insistência consegui convencer o meu amigo – em trânsito de alguma frustração – a empreender uma outra experiência com um figurino semelhante.
Ainda no mesmo contexto de exercício, promovendo alguma rotatividade equilibrada entre os jogadores de ambos os sectores, a fim de despistar o factor cansaço, colocaram-se 4 jogadores defensores e os 4 atacantes, rodando 2 jogadores em cada sector de 3 em 3 repetições.
Foi proposta a realização de 3 séries, com seis repetições cada uma, num total de 18 repetições, anotando-se os resultados em cada uma das séries.
Obtiveram-se os seguintes resultados:
1ª série: 0 concretizações; 6 erros.
2ª série: 1 concretização; 5 erros.
3ª série: 3 concretizações: 3 erros.
Embora o teste careça de algum rigor científico considerando a amostragem, afigura-se claro que o treino começou a produzir alguns efeitos na 3ª série. Ou seja; ao fim de um certo número de repetições os jogadores envolvidos no sector atacante (sem que algum esquema tenha sido delineado com antecedência para esse efeito específico) começaram a intuir e a elaborar soluções aplicáveis às dificuldades criadas pelos jogadores do sector defensivo, desenvolvendo aquisições que têm todas as condições para se firmarem no modo de jogar, logo reutilizáveis em contextos semelhantes, logo um conjunto de instrumentos activos disponíveis para aplicação nas mais variadas circunstâncias de jogo.

Na perspectiva de trabalho do tal “esquema táctico” inicial sem qualquer oposição, visando o entrosamento entre os jogadores – que, naturalmente, se espera poder colocar em prática nos próximos jogos e no futuro – o ganho é praticamente nulo e frequentemente frustrante para o técnico, que engendrou um encadeamento de movimentos aparentemente perfeito e, dir-se-ia mesmo, belo para a vista e para o espírito.
Não raras vezes se podem observar evoluções de jogadores em treino mais parecendo uma coreografia muito bem articulada, deixando no ar apenas o desejo ardente de que a mesma se repita no próximo jogo, mas desta vez por entre os adversários que, infelizmente, não se disporão a fazer figura de espectadores, nem muito menos dispostos a apreciar o “espectáculo”.
Salvo raras excepções de componente técnica muito específica e precisa, nenhum exercício que envolva apuramento táctico ou técnico colhe resultados se for esquematizado e exercitado sem a componente de oposição imprescindível à sua consolidação.
Em primeiro lugar pela própria essência do elemento estrutural do homem. Dificilmente este consolida aquisições quando a estrutura do exercício se apresenta simplificada e destituída da necessidade de resolução de problemas que agucem o engenho e a arte para as superar.
A extrema simplicidade repetitiva de um exercício conduz à mecanização do movimento, dispersão da atenção e abaixamento consequente dos mecanismos de aquisição e integração.
Qualquer exercício concebido sem a necessária oposição é, pois, num contexto de assimilação e elaboração, uma pura perda de tempo, mas, mais ainda, uma convicção de bem treinar que não colhe posteriormente as performances que delas se esperam. Não só, mas também porque se trata de uma proposição de trabalho que não confere com a realidade, logo destituída de factores de transposição útil para o jogo, condição essencial que deve prevalecer em todas as propostas de trabalho que venham a ser congeminadas no sentido da promoção de aquisições fundamentais no contexto técnico-táctico.
O adestramento em treino de uma movimentação simples com a pretensão, ou esperança, de que esta venha a ocorrer em jogo é um puro exercício de fé e a convicção de que treinamos sós na expectativa de que iremos jogar também sós.

Dizia um dia um treinador ao intervalo:
“Andámos nós duas semanas a treinar aquele esquema para agora nem uma única vez o colocarem em prática.”
Respondia um dos jogadores visados, revelando alguma confusão no seu espírito:
“ Se quer que lhe diga Mister, com a confusão do jogo, já nem me lembro bem como era o esquema, quanto mais colocá-lo em prática…”

Subjaz ainda que é no confronto entre quem defende e ataca que ocorre o entrosamento e o entendimento quanto à forma como cada companheiro responde às dificuldades colocadas pelo adversário, resultando na aquisição de soluções de grupo, adquiridas e consolidadas pelos jogadores (tendo em conta o conhecimento com que ficam do modo de jogar de cada um deles) as quais poderão no futuro – qualquer futuro – contribuir de forma cabal e racional para a performance desejada por qualquer técnico: levar de vencida a oposição do adversário e chegar ao golo.
No fundo, o importante será inculcar no atleta a capacidade de tomar decisões acertadas em consonância com os companheiros e de acordo com os múltiplos problemas que ocorrem no jogo, reformulando, de forma inteligente e coerente, todo o tipo de dificuldades criadas pelo adversário e as próprias vicissitudes do jogo.

Na perspectiva do exercício em apreço, e a título de exemplo, sugere-se como metodologia a divisão de um meio campo em três faixas longitudinais (ala esquerda, central e ala direita) colocando em cada uma delas os jogadores que defendem habitualmente nessas zonas, em confronto com igual (inferior ou superior) número de jogadores atacantes (dependendo da intensidade e especificidade de treino que se pretende incutir, convindo alternar pelas três situações).
P.e.: se coloco um número de atacantes superior ao número de defesas o trabalho terá uma incidência de intensidade maior para os jogadores que defendem, tornando mais fácil (logo, mais exigente em termos de resultante) a tarefa dos atacantes.

Objectivo: bola nos atacantes que procuram ultrapassar aquela barreira defensiva, no espaço delimitado por cada corredor, criando e recriando os meios e as formas mais adequadas e ajustadas às diferentes oposições que vierem a ser colocadas pelos jogadores que defendem.
A largura dos corredores deve ir variando ao longo de cada sessão de treino, procurando simular situações de dificuldade de jogo criadas pelo adversário e as variantes do próprio jogo.
Embora seja importante que os jogadores evoluam preferencialmente nos sectores predominantes da sua actuação, será ajustado que ocorram trocas de proximidade entre alguns jogadores das alas e a faixa central, ou mesmo outras que o técnico entenda conformes, tendo em conta a disponibilidade e globalidade de funções de cada jogador. Por outro lado, será uma boa medida ir mudando os jogadores em confronto, a fim de variar o tipo, forma e a intensidade da oposição, subvertendo igualmente algum vício.
Como conceito adjacente, neste tipo de exercício sugere-se a utilização de jogadores momentaneamente inactivos (guarda redes, p.e.) para controlo dos foras de jogo. Nada pior que treinar os erros.

A partir da criação de um método com virtudes para a obtenção dos objectivos que se pretendem, todas as nuances, conjugações e reformulações são permitidas e desejáveis, tornando o treino mais rico e diversificado, retirando-lhe a monotonia, a rotina e a própria habituação a um esquema monocórdico com todos os inconvenientes daí resultantes.
O técnico não deve mudar apenas para mudar, dando a ideia de novidade.
Deve mudar quando sentir que se instalou o vício e as suas consequências.
Contudo, mudar não significa reformular tudo. Um exercício, sendo um bom exercício, não deve ser substituído só para criar novidade. Mudar pode ser conseguido apenas com pequenas alterações dentro do mesmo esquema de trabalho, que conduzam à reformulação da actuação do jogador obrigando-o à busca de novas soluções; logo, activo, atento e empenhado, ou seja, disponível para as novas aquisições, a que o treino deve sempre obrigar, e permanentemente entusiasmado com a variedade, alternância e riqueza de problemas que lhe são colocados.
Um atleta atento e vivo no treino será um atleta atento e vivo no jogo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Frases Soltas

Hoje e sem me desviar do sentido prático e objectivo com que criei este blog, resolvi colocar algumas frases soltas de grandes treinadores. Começo por uma que ouvi pessoalmente e que é bem real:


"... No futebol não pode haver coração"
"...A minha equipa nunca tem um plano B. O plano A tem de funcionar sempre..."
"...Treinamos em função do hoje, porque nunca sabemos o amanhã..."
"...Enquanto não vir um árbitro a criticar um jogador meu por um erro técnico, jamais permitirei que um jogador meu critique um árbitro..."
"...Pesa-me mais a consciência quando a minha equipa vence e joga mal, do que quando perdemos e jogamos bem...
"...Ser treinador é também ser-se saber ser uma marioneta de modo a criar bem estar entre os atletas, dirigentes, sócios e simpatizantes..."
"... Eu valho pela minha competência, mas sou avaliado pelos resultados dos jogos..."
"...Não conheço nenhum treinador que entre num jogo sem vontade de ganhar, nem que escolha uma equipa inicial que não seja capaz e na qual o treinador acredite que são aqueles que lhe vão dar a vitória..."
"...A beleza de ser-se treinador é que sou eu quem toma as decisões cruciais que me podem levar ao êxito ou ao abismo..."
"...O meu grupo de trabalho é que faz de mim um treinador competente ou não..."
"...Sofro mais quando perco um jogo, do que quando o ordenado atrasa alguns meses..."

terça-feira, 11 de novembro de 2008

QUADROS ESQUEMA
















ÉTICA

A ética existe, tolera-se e apregoa-se mas será que é aplicada com razoabilidade tal como se exige?

Entende-se por ética o reflectir sobre as leis, as condutas e as regras.
Ética é a moda de cada um ser, de cada um agir.
Ética questiona a moral, ou seja, a ética reflecte e questiona as leis, as condutas, as regras que são características da moral.
A moral é uma certa codificação de regras, leis, normas e valores que orientam a conduta humana. Todo o ser humano, sujeito activo e actuante, necessita intrinsecamente da definição dos princípios orientados da acção e da sua vida.
A ética coloca-se no campo de cada projecto existencial, no cumprimento da pessoa humana em nós. É por isso que demitir-se da ética e no limite uma demissão de si próprio, do seu projecto existencial. Na nossa vida, em qualquer sociedade ou cultura, todos detectamos comportamentos que consideramos bons e outros que achamos maus.
Faz parte da moral da consideração do bem e do mal, quando reflectimos sobre a moral (sobre o bem e o mal) e sobre o nosso agir humano, situamo-nos no campo específico da reflexão ética.

LIDERANÇA NO FUTEBOL

... Liderança não é dominação, mas a arte de convencer as pessoas a trabalhar para um objetivo comum.

Ouve-se muito a palavra liderança no mundo actual, nos negócios, no quotidiano das pessoas, no desporto e, mais especificamente no futebol. Mas o que realmente vem a ser essa palavra? Qual seu verdadeiro significado? Pode-se equacionar liderança como a situação de uma equipa que se encontra num determinado campeonato. Noutras modalidades desportivas, como no automobilismo, diz-se que o piloto X está na liderança, mas não é esse conceito ou significado para liderança que será tratado. Coloca-se liderança como a postura, a característica e a função de um treinador frente uma determinada equipa de futebol, futsal, ….
No futebol globalizado e competitivo de hoje em dia, ocorre um nivelamento dos aspectos técnicos, táticos e físicos e pouco se cria ou se inventa nessa área sem o conhecimento ou imediata utilização por todas as equipas. O empenho e dedicação dos atletas para determinadas situações ou adversários são influenciados directamente pela actuação do treinador. O papel do líder e como ele exerce a liderança será fundamental no desempenho dos atletas e da equipa, logo:


Liderança significa a capacidade de influenciar pessoas para trabalharem juntas, no alcance de metas e objetivos, de forma harmônica.

O líder deve estar atento a todos os detalhes que envolvem uma equipa. Tomemos o exemplo de Scolari, está atento a tudo como líder, vê todos os detalhes, mas tem colaboradores profissionais de todas as áreas.
“O treinador é o líder, e para tanto deverá ser o condutor e articulador das relações entre os atletas de sua equipa. Ser líder é saber lidar com as diferenças no grupo e não tornar todos iguais”.
O comportamento de liderança dos técnicos tende a ser impessoal, seguindo as normas e regulamentos com rigidez para alcançar metas. Isso, entretanto, não é garantia de sucesso. A inter-acção entre comandante e comandados passa por uma série de factores de relacionamento interpessoal.
Segundo Matt “Boom” Daniel, citado por CUNHA (2005), um bom líder deve:
1. Aprender a planear - Um bom líder deve antever o futuro, deve se programar para seis meses, um ano e até cinco anos.
2. Seja íntegro - O grupo deve ser soberano, interesses individuais podem atrapalhar o planejamento.
3. Comunique-se de maneira clara - Nessa etapa é importante a troca de experiência para se atingir um bem comum.
4. Faça sua parte - O líder deve fazer o que planeou anteriormente.
5. Leve o trabalho a sério - Encare o seu trabalho ou função como a mais importante.
6. Antecipe os erros - Planeie os problemas que possam ocorrer no futuro e se prepare para enfrentá-los.
7. Reconheça que precisa de ajuda - Você deve fazer a sua parte, mas deve admitir que muitas vezes precisa de ajuda e aceitá-la.
8. Aperfeiçoe a liderança - A liderança é uma capacidade a ser desenvolvida. Treinamento e disciplina são conceitos valiosos.

Características de um líder segundo diversos autores:
1. Entusiasmo – Além de acreditar nas suas metas, o líder deve ter um desejo imenso de alcançá-las, com isso influenciará positivamente seus atletas.
2. Integridade – Os atletas devem confiar no seu líder, acreditar nas suas idéias, na sua honestidade e que fala sempre a verdade.
3. Senso de propósito e direcção – Além do conhecimento técnico da modalidade, o líder tem pleno conhecimento de seus objetivos e de como alcançá-los.
4. Disposição – O líder deve ser bem disposto e ter uma grande capacidade de suportar cargos e pressão.
5. Coragem – Deve saber escolher as decisões correctas para cada situação e não evitar utilizá-las.

Para DANIELS (2003) a essência de ser líder é “possibilitar aos outros agirem com o máximo de sua capacidade”. Segundo Chelladurai, citado por BRANDÃO; AGRESTA e REBUSTINI (2002) a liderança é fundamental no estado motivacional dos atletas e/ou equipa.
O técnico deve usar situações de momento para motivar os atletas, também aproveitar todos os acontecimentos durante a semana para motivar seus atletas utilizar muitas conversas individuais para motivar os atletas, além de histórias, fábulas, declarações de adversários, manchetes de jornais e vídeos, etc.


“Motivação – (motivo + ação) é o motivo que alguém tem para fazer alguma coisa”
O treinador deve conscientizar os atletas que o que faz uma equipa vencedora é o coletivo, mas esse coletivo de sucesso é alcançado pelos sonhos e aperfeiçoamento dos atletas.
Devido aos vários e diferentes factores que determinam e influenciam o ambiente de uma equipa, pode-se dizer que não existem valores específicos e forma de liderar, comandar, orientar e influenciar o comportamento.
Treinadores que não se prepararem psicologicamente para o cargo, não souberem a pressão que a função exige e, principalmente, não estiverem qualificados para liderar os seus atletas, estão fadados ao insucesso. O papel do líder fora de campo é imprescindível no futebol moderno. Os conhecimentos práticos e teóricos do técnico são extremamente importantes no futebol. A sua capacidade para utilizar esses conhecimentos é fundamental para liderar seus atletas e equipa a alcançar o desempenho máximo.
Muitos colocam a liderança como um factor inato, mas ela pode ser trabalhada e aprimorada até um ponto satisfatório para a função de treinador de futebol.
Ser líder não é apenas ser um técnico, implica em seguir normas sociais, emocionais e funcionais.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

MÉTODOS DE MOTIVAÇÃO

Opinião pessoal, pelo que cada um pode discordar, mas esta continua a ser a minha opinião. Assim passo a enumerar:
· Utilizar métodos de treino inovadores e que vão ao encontro das necessidades e características dos atletas que o treinador dispõe;
· Dar oportunidades aos atletas para jogarem a nível de jogos oficiais. Todos os atletas gostam de se sentirem úteis à equipa;
· O treino é para todos e não apenas para alguns atletas;
· Estabelecer objectivos colectivos;
· Estabelecer objectivos individuais aos atletas, tais como: em 10 jogos marcar 20 golos;
· Não ser um treinador de rotinas a nível de opções táctico/técnicas, de opções organizativas (viagens/estágios), de treinos e de discurso para com os atletas;
· Saber estabelecer diálogo com os atletas e não ser só o treinador a falar, pois os atletas gostam de ser ouvidos e gostam de partilhar ideias. E quando o treinador ouve os atletas é mais fácil “combater” possíveis índices de desmotivação no seio dos seus jogadores;É importante estabelecer regras, mas mais importante é o cumprimento das mesmas;
· Ser treinador não é só ter um apito ao pescoço e “comandar” uma equipa dentro de campo. É fundamental lembrarmo-nos que os atletas são pessoas e têm “vida” para além do treino/jogo, ou seja, temos de ser muito mais que simples treinadores

sábado, 1 de novembro de 2008

TREINADOR - QUEM DEVE PRATICAR ESTA PROFISSÃO?



A profissão de treinador ganhou particular importância e apreço na vida social nos dias de hoje. Esta profissão está estreitamente ligada à edificação da capacidade desportiva de Alta Competição da nação, em qualquer ramo ou modalidade desportiva. Por outras palavras, quanto mais altos são os conhecimentos e os hábitos profissionais dos treinadores, mais altos serão os desempenhos desportivos da nação. Esta aspiração é difícil de cumprir nas condições, nas quais são ignoradas as exigências da profissão de treinador. Presentemente nem todas as pessoas que desejam tornar-se treinadores têm o potencial para desempenhar esta tarefa.
Ao estabelecer quais as aptidões necessárias a este papel, devemos perguntar-nos primeiro:
Quem deve praticar esta profissão?
- Aqueles que praticaram com abnegação o respectivo Desporto e que experienciaram eles próprios os rigores do treino e das competições. São preferidos os desportistas de Alto Rendimento (mestres do Desporto) cuja personalidade é apropriada à profissão de treinador;
- Aqueles que têm vocação (inclinação, talento) para esta profissão. Neste caso vocação significa um conjunto de traços da personalidade do qual não devem faltar:
· a capacidade de incentivo - a capacidade de estimular, activar, impulsionar a equipa (os desportistas) e de solucionar qualquer problema, sejam quais forem a natureza e a dificuldade da mesma;
· feitio de carácter - um alto nível de conduta moral, de paixão, vontade de ensinar aos outros, de perseverança, determinação, intransigência, espírito crítico incisivo, autocontrolo afectivo, sociabilidade, modéstia, respeito aos princípios, etc;
· aptidões de educador - requerem a superação dos limites desportivo-práticos e o envolvimento noutros aspectos educacionais da personalidade: moral, estético, intelectual. Não devemos esquecer que o treino desportivo é, no entanto, um processo didáctico que necessita o conhecimento e a direcção de toda a actividade com base em princípios didácticos, com regras e estratégias bem definidas(...);
· aptidões de psicólogo - sintetizadas na expressão «Faça com que acreditem». A confiança ilimitada ganha-se apenas quando os desportistas (equipa) notam que as decisões e as recomendações feitas pelo treinador são coroadas de êxito (...);
· habilidades intelectuais - a inteligência verbal, espírito de observação, rapidez de pensamento, imaginação, memória, atenção distributiva, espírito pragmático e lógico;
· aptidões de dirigente e organizador - qualquer treinador deve ter uma autoridade de competência profissional, e não só de cargo (por nomeação). Uma óptima direcção pressupõe, em primeiro lugar, uma preparação de especialidade rigorosa (conhecimentos teóricos, experiência prática, informação permanente, conhecimentos didácticos, psicológicos, biomecânicos, bioquímicos, sociológicos, etc.), e, em segundo lugar, uma preparação estritamente necessária no domínio da ciência da direcção (management) com aplicações na actividade desportiva específica (...);
· Outras aptidões e capacidades - capacidade de intuição; capacidade de criação; capacidade de direcção autoritária; capacidade de decisão rápida; espírito de sacrifício.
A selecção das pessoas que se dedicam à profissão de treinador é, tal como já salientámos, uma condição «sine qua non» para a prosperidade da actividade desportiva de alto rendimento.
O valor dos treinadores não está ligado nem ao volume (às vezes imenso) do trabalho, nem à amplidão das actividades, nem à energia física e nervosa consumida, mas sim ao resultado desportivo obtido. Cada resultado desportivo em parte pode fazer subir ou descer uma pessoa na escala profissional. O homem-chave, que assume a responsabilidade em todas as circunstâncias, é o treinador. De modo especial, numa derrota, o «culpado» é sempre o treinador.
A profissão de treinador e mais do que uma profissão, é uma vocação, com tudo o que esta noção requer: fidelidade, paixão, entusiasmo, sacrifício. Mais ainda, esta vocação é exercida num mundo de incerteza e do acaso:
· escolher jogadores e formá-los, sem saber antes o que vão realizar;
· «lançá-los» na luta competitiva, e orientá-los para a obtenção de altas performances no momento decidido, por oportunidade, ou por certas condições favorecedoras;
· lutar com toda a energia, sem grandes esperanças;
. aguentar tudo, continuando a luta;
· esperar e ver-se eliminado, sem pretender explicações e sem poder compreender;
· subir muito para cima, e depois «cair»;
· «caído», ver-se pisado por aqueles que, não há muito tempo, o idolatravam;
· demonstrar sempre ser bom, e sendo bom, ser ignorado;
· obter a vitória, na maioria dos casos para outros, ou suportar a derrota dos outros;
· sentir a ilusão da vitória, e ao mesmo tempo lamentar ter vencido;
· uma vez vencedor, ao consignar na agenda a vitória, saber que do outro lado há um vencido que consigna a sua derrota;
· «...finalmente, ver-se sozinho, irremediavelmente sozinho, com os seus pensamentos, que nunca o deixam em paz, fora e dentro da casa;
· ...e amanhã começa um novo calvário com que já se habituou e de que nunca se pode livrar».

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ANTEVER E PREVER PARA VENCER

Semanalmente, é função de treinadores e atletas prepararem o jogo seguinte, com o intuito de o vencer. Trabalham com um objectivo, em função de determinado contexto, tendo em conta o próximo jogo/adversário. Contudo, razões de vária ordem levam-nos ao “stress” e à incerteza do comportamento, do acontecimento, da decisão e do resultado. Portanto, e simplificando a questão, nada melhor que preparar a equipa para menos incertezas, menos indefinições, menos stress e obviamente, mais e melhor rendimento. Uma das formas de lidar com a incerteza é usar a visualização do que vai acontecer, antevendo e prevendo os acontecimentos que possam surgir ao longo do jogo, em função do resultado e do contexto táctico-estratégico adoptado pelo adversário. Planeando estes acontecimentos e explorando a capacidade do “atleta pensante”, diminuímos de sobremaneira o grau de incerteza (de stress). Neste plano mental e táctico-estratégico do jogo (que também deve ser treinado), o treinador tem papel preponderante e fundamental. Hoje em dia, no futebol de rendimento superior e de top torna-se fundamental conhecer o adversário que se vai defrontar, o seu modelo de jogo predominante, as suas “nuances estratégicas”, os seus esquemas tácticos, as suas rotinas, os seus fundamentos defensivos, ofensivos e de transição, a sua organização colectiva e individual, e claro, analisar as características dos atletas mais evoluídos no contexto colectivo, caracterizando as suas acções predominantes. Antevendo e prevendo, realizando este planeamento/estudo sobre a equipa adversária, é seguir o caminho da certeza em detrimento da incerteza, da confiança em detrimento do stress, da vitória periódica em detrimento da vitória esporádica. Antevendo, prevendo, planeando e treinando em função do adversário seguinte (sem nunca descaracterizar o nosso modelo de jogo e trabalhando em função dele) é importante para vencer mais vezes e atingir níveis de rendimento superior. Mas não é só papel do treinador este “trabalho de casa” em relação ao adversário. O atleta pode e deve, adquirir por si próprio, dados e características referentes à equipa (no seu todo e nas suas partes) adversária, visualizando jogos e com base no seu conhecimento do jogo, preparar-se melhor para o jogo, antevendo acontecimentos, diminuindo incertezas. Preponderante na preparação de qualquer jogo da época será o nosso atleta saber o que faz em campo, para onde se desloca e porque se desloca, não correndo muito mas correndo bem, ocupando espaços e criando desequilíbrios. Isto só se consegue com o treino, com o exacerbar princípios e sub princípios do nosso modelo de jogo. O atleta está melhor preparado (diminuindo o seu grau de incerteza) se souber quais as suas tarefas de acção colectivas e individuais que tem de desempenhar no jogo, em consonância com o nosso modelo de jogo e em função de determinado adversário. E isto não se conseguirá correndo à volta do campo, subindo bancadas, saltando barreiras, contornando sinalizadores ou levantando barras de ferro. Isto adquire-se no campo, com o treino, em função dos objectivos e de um modelo de jogo definido pelo treinador. É portanto, tarefa do treinador, elucidar os seus atletas o mais cedo possível (no microciclo semanal de treino) relativamente às características e comportamentos da equipa adversária, pois uma equipa preparada e prevenida com antecedência, ficará mais próxima de alcançar os objectivos a que se propõe. Depois de conhecida a informação acerca do adversário, o atleta poderá começar a pensar e a visualizar como pode desempenhar as suas tarefas da melhor maneira. Ao treinador caberá a elaboração do “plano de jogo”, antevendo e prevendo os problemas que poderão suceder, preparando e planeando as soluções para as diferentes situações do jogo, não sendo surpreendido nem apanhado “desprevenido”. Uma equipa surpreendida e desprevenida é uma equipa em dificuldade. E para que não se pense (erradamente) que apenas as equipas que têm observadores ou “olheiros” podem fazer este tipo de planeamento, ao treinador que defronta aquele adversário pela primeira vez e/ou que não teve oportunidade de o observar antecipadamente, pede-se que nos primeiros instantes do jogo esteja ainda mais concentrado e atento à equipa adversária (não descurando os comportamentos da sua equipa) para que possa o mais rápido possível criar na sua mente um “plano de jogo” em função do modelo de jogo e do contexto táctico-estratégico adoptado pelo adversário, elucidando assim que possa, os seus atletas sobre os comportamentos do adversário. Em todo o processo, o mais importante somo nós, a nossa equipa, o nosso modelo de jogo e os nossos comportamentos colectivos (princípios e sub-princípios). É acreditar no que se treina, jogar de acordo com o que se treina e ser coerente. Contudo, não descuremos o adversário porque conhecendo-lhe as fraquezas poderemos torná-lo mais débil (escondendo também assim as nossas fraquezas) e derrotá-lo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Alongamento muscular, uma actividade importante.

O alongamento é uma forma terapêutica elaborada para aumentar o comprimento de estruturas moles de tecidos, os chamados músculos encurtados, e desse modo permitir a extensão da amplitude do movimento. Só para exemplificar, repare nos animais domésticos, especialmente cães e gatos: sempre que se levantam, depois de um período de repouso, esticam-se demoradamente antes de se começarem a movimentar.
Antes da prática da actividade desportiva, seja ela qual for, (e também ao seu término) os alongamentos são necessários para preparar a musculatura para um melhor desempenho físico ou para distribuir o sangue de maneira mais uniforme no tecido muscular. Esses exercícios proporcionam uma maior flexibilidade articular na execução dos movimentos.Na prevenção de lesões musculares - como a contratura e a distensão - o alongamento é parte obrigatória da rotina entre os atletas profissionais, amadores e iniciantes no futebol.

Para os jovens desportistas o condicionamento e a regularidade desta prática trazem a estes importantes benefícios. Tais como:
• Aumento da flexibilidade do corpo em geral.
• Prevenção no risco de lesões antes da prática desportiva.
• Prevenção de contraturas irreversíveis.
• Recuperação com maior rapidez da amplitude do movimento normal das articulações.
• Preparação do corpo para o esforço, evitando riscos aos músculos esqueléticos, tendões e articulações.
• Após a actividade física, alguns alongamentos recuperam os músculos mais exigidos e cansados e já preparam a musculatura para a próxima actividade.
Cuidados no alongamento:
• Para quem não está acostumado, é preciso começar com cautela e de maneira progressiva. Mas alongue sempre no início de cada actividade física.
• Excesso de carga nos alongamentos pode, em vez de prevenir, prejudicar.
• Na execução do movimento alongado, observe a postura corporal.
• Para regiões muito específicas, é necessária a orientação de um fisioterapeuta.
Atenções:
• Dores musculares, lombares e tensões musculares podem ser diminuídas com alongamentos, principalmente após os jogos, as actividades mais intensas e as brincadeiras.
• Os alongamentos, na medida em que relaxam, podem regular as actividades do corpo.
Sensação de corpo relaxado:
• Relaxamento, este é a primeira sensação após uma série de exercícios de alongamento.
• Facilidade na movimentação motora.
• Desenvolvimento da consciência corporal.
No alongamento, várias partes do seu corpo são focadas e você consegue entrar em contacto com elas.
• Auxilia na liberação dos movimentos bloqueados por tensões emocionais.
• Melhora e activa a circulação.

sábado, 11 de outubro de 2008

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO FUTEBOL

O futebol é uma das modalidades desportivas que apresenta a maior dificuldade para a sua caracterização com relação ao esforço físico requerido. Em provas como 100 metros rasos do atletismo ou a maratona é fácil definir, são desportos com predominância anaeróbica e aeróbica, respectivamente. Mas o futebol apresenta características particulares em cada movimento. O respeito pela multiplicidade expressiva do homem no futebol permitirá a "criação" de um modelo de jogador desenvolvido e sem carências gritantes. Por via das exigências analíticas é se forçado por vezes a separar o sujeito-atuante (motor), do sujeito-sentimento (afetivo) e do sujeito-pensante (cognitivo), mas não se poderá perder de vista a indissociabilidade de todas as vertentes que caracterizam o homem em situação, o homem como unidade, uno na sua diversidade.
O futebol é uma modalidade desportiva intermitente, com constantes mudanças de intensidade e actividades. A imprevisibilidade dos acontecimentos e ações durante uma partida exige que o atleta esteja preparado para reagir aos mais diferentes estímulos, da maneira mais eficiente possível pelo que a maioria das actividades relacionadas com o futebol competitivo é de intensidade submáxima.
A principal via metabólica durante o futebol competitivo é a aeróbica e as respostas metabólicas são em geral análogas às encontradas nos exercícios de endurance. A maioria das actividades é composta de movimentos sem bola .
O futebol compreende vários tipos de deslocamentos, embora a caminhada e o trote sejam predominantes. É necessário treinar a capacidade de resistência aeróbica para que os jogadores possam se movimentar, durante os 90 minutos, com períodos de movimentos de alta intensidade, como acelerações em pequenas distâncias.
“O futebol é um jogo no qual as demandas fisiológicas são multifatoriais e variam durante a partida e encontra-se alta concentração de lactato sangüíneo e elevada concentração de amônia durante o período de jogo, fato que indica que ocorre maior metabolismo muscular e alterações iônicas e estas alterações levam à fadiga”.
“O futebol é caracterizado como exercício de alta intensidade intermitente e a relação entre o repouso e períodos de baixa e grande intensidades variam de acordo com o estilo individual de jogar, mas o mais importante é a posição de jogador em campo, já que o jogador corre aproximadamente 9-10 km por partida, sendo que entre 8 - 18% é na maior velocidade individual”.
A intensidade do exercício durante o jogo pode ser determinada pela distância percorrida. Pode-se definir o futebol como um desporto de endurance de intensidade alternada. Estudos feitos dizem-nos que o futebol é uma atividade predominantemente aeróbia, com somente 12% do tempo de jogo gasto com atividades que utilizam substratos energéticos anaeróbicos. Num Jogo somente 10 - 15% da distância total é percorrida sob a forma de sprint. Constata-se que o sistema anaeróbico alático é o principal sistema anaeróbico da modalidade. O futebol é um desporto com componentes anaeróbicos aláticos e láticos. Existem características fisiológicas específicas para essa modalidade desportiva. As posições específicas também apresentam características fisiológicas diferenciadas. É evidente que as demandas fisiológicas do futebol variam com a taxa de trabalho em diferentes posições.
Os jogadores devem-se adaptar às exigências do jogo para poderem competir num alto nível. Assim, a condição física dos atletas de elite pode indicar a demanda fisiológica do jogo. O estilo de jogar influencia nas demandas fisiológicas dos jogadores. As características que devem ser trabalhadas para se chegar ao profissionalismo são: resistência aeróbia, velocidade, força, flexibilidade, agilidade, composição corporal (percentil de gordura) e somatotipo. Está provado que os atletas de futebol possuem características físicas específicas por posição.O futebol exige resistência, velocidade, agilidade e força. O futebol exige uma série de capacidades, resistência, velocidade e força como princípios decisivos, mas também agilidade e flexibilidade. A resistência tem sua importância para desempenhar uma boa performance durante todo o jogo. A velocidade é necessária para percorrer as distâncias curtas o mais rápido possível. A ligação entre as capacidades é de extrema importância, como também entre a velocidade e a agilidade.Muitas qualidades são exigidas para uma boa performance de um jogador de futebol: destreza, força, velocidade de mobilidade articular e habilidade. Essas características independem da posição dos atletas. O futebol requer força, potência, velocidade, agilidade e resistência. Penso que, apesar da importância dessas capacidades, a velocidade é talvez a mais importante. O simples fato de essa capacidade estar em evidência pode mudar uma partida. A habilidade controlada com mudanças rápida de direção, parece ser uma característica inerente aos jogadores de futebol . O jogador deve possuir uma grande bagagem técnica, para que por meio da condição física possa estar apto a desenvolver estratégias e funções táticas. Portanto, observa-se que o futebol é um desporto que exige uma atenção muito grande com relação aos esforços realizados e conseqüentes utilizações das fontes energéticas.

sábado, 27 de setembro de 2008

O Treino

O planeamento do treino desportivo é um processo metodológico e científico para conduzir os praticantes a elevados níveis de performance.
Traduz-se num conjunto de linhas gerais e específicas que procuram direccionar e orientar a trajectória da preparação do praticante ou da equipa no futuro próximo.
Planear é um procedimento de prognóstico que tem como finalidade a elaboração de um plano. Este é, no essencial, um esboço teórico prévio, um programa que descreve como e em que condições poderá determinado objectivo ser alcançado, objectivo esse definido no quadro do próprio plano que se está a conceber.
O acto de planear não termina com o início da execução do plano, uma vez que deverá ser entendido como um processo contínuo e dinâmico integrando mecanismos intrínsecos de auto-avaliação que promovam adaptações constantes do plano.
O planeamento do treino desportivo exprime-se num modelo de praticante ou de jogo da equipa, o qual é consubstanciado a partir:
- Da análise dos praticantes ou das equipas no presente;
- Da concepção por parte do treinador (incluindo as tendências evolutivas da modalidade);
- Pela definição das orientações do trabalho;- E as vias para atingir os efeitos pretendidos.

NATUREZA DO PLANEAMENTO
A natureza do planeamento do treino desportivo exprime-se essencialmente no conhecimento claro do trajecto e da forma de preparação do praticante ou da equipa que se pretende implementar num futuro próximo.

OBJECTIVOS DO PLANEAMENTO

- Construir um modelo de organização do processo de treino do praticante ou da equipa, melhorando o seu rendimento desportivo;
- Delinear um trajecto, através da aplicação de programas de acção, capazes de atingir o modelo que se pretende num futuro, realizável o mais cedo possível;

Para atingir os objectivos traçados é necessário:
- Analisar os principais aspectos positivos e negativos dos praticantes ou da equipa no presente;
- Descrever de forma clara e profunda o modelo de praticante ou da equipa que se pretende atingir no futuro (com base nas concepções do treinador, nas tendências evolutivas da modalidade, e na comparação com as características dos praticante ou da equipa);
- Elaborar programas de acção que conduzam o processo de evolução do praticante ou da equipa para o modelo pré-determinado.

IMPORTÂNCIA DO PLANEAMENTO
“O planeamento contribui para que no treino nada aconteça por acidente, mas por desígnio dotreinador.” Bompa (1994)
O planeamento é a arte de usar conhecimentos científicos na estruturação do processo de treino. É a mais importante ferramenta do treinador na condução de um programa de treino bem organizado, pois permite a eliminação do acaso.

Deve ser simples, sugestivo e flexível, para que seja possível modificá-lo de acordo com o progresso dos praticantes ou da equipa.

NÍVEIS DE PLANEAMENTO

O planeamento do treino desportivo pode ser analisado a 3 níveis:
- Planeamento conceptual.
- Planeamento estratégico.
- Planeamento táctico.

1) Planeamento conceptual.

Em traços gerais, baseia-se na teorização da prática, estabelecendo:
- Um sistema explicativo que engloba o máximo de factos observados dentro da realidade que lhe é própria, e paralelamente;
- Estabelece e objectiva as linhas gerais orientadoras, ou seja, os pontos de partida fundamentais que pretendem indicar o caminho para um processo de treino mais eficiente dos praticantes ou das equipas.

2) Planeamento estratégico.

A planificação estratégica traduz-se em modificações pontuais e temporárias da expressão táctica do praticante ou da equipa, em função das condições e da especificidade da próxima competição (o modelo de jogo, o espaço onde se irá desenrolar a competição, a relevância do resultado…).

O seu objectivo recai na criação de dificuldades adicionais aos adversários e vantajosas para o próprio praticante ou equipa. Contudo, apresenta alguns limites:

- O praticante ou a equipa não possuírem argumentos capazes para o aproveitamento das debilidades do adversário; ou
- As modificações pontuais e temporárias a introduzir serem de tal ordem que coloquem em causa o equilíbrio da nossa equipa.

Etapas do planeamento estratégico:


Recolha de dados;
Trata-se da compilação de informações necessárias para caracterizar o adversário (particularidades dos factores de treino, qualidade dos praticantes e do treinador), assim comodas condições onde será realizada a competição (qualidade do piso, tamanho do espaço de jogo…).

Comparação de forças;
Nesta etapa procede-se à comparação dos dados recolhidos com os existentes acerca dos nossos praticantes ou equipa. È importante, por exemplo, na determinação das adaptações a fazer no plano táctico, na atribuição de missões individuais, na escolha da equipa…

Elaboração do plano táctico-estratégico;
Após a comparação, o treinador determina os aspectos principais para o sucesso na competição. Por exemplo, determinando se o sucesso no jogo passa por uma postura mais ofensiva ou defensiva, pois terá reflexos na escolha da equipa que irá jogar, na distribuição de missões tácticas…
Reunião de reconhecimento do adversário;

Trata-se de dar a conhecer aos praticantes ou equipa os aspectos considerados mais pertinentes na organização do adversário, preparando-os para a competição.

Elaboração do programa de preparação para o ciclo de treino;

Nesta fase o treinador passa à concretização do programa de preparação do respectivo ciclo de treino, determinando por exemplo, o n.º de treinos, a sua duração, os exercícios mais eficazes e ainda programando uma prova/jogo-treino que servirá de teste.

Experimentação do plano táctico-estratégico;
Trata-se da realização de uma prova/jogo-treino onde se pretende validar o programa de preparação efectuado, ou mesmo modificá-lo se necessário.

Preparação da equipa nas horas que antecedem o jogo;
Este período tem a duração de 24/36 horas antes da competição e visa a focalização dos praticantes ou equipa para a competição (estágio, último treino, e aquecimento para a competição).

Reunião de análise do jogo;
É importante pois por um lado encerra o ciclo de preparação para a competição já realizada, e por outro lado abre um novo ciclo de preparação para a competição seguinte. É um momento fundamental na confirmação ou redefinição dos programas de acção estabelecidos, corrigindo os desvios ao modelo a atingir.

3) Planeamento táctico.

É a aplicação prática do planeamento conceptual e estratégico, procurando utilizar de forma racional e oportuna durante a competição a capacidade de rendimento do praticante ou da equipa em todas as suas vertentes (física, psicológica…) com vista à concretização dos objectivos pré-definidos.
Visa essencialmente a resolução eficaz dos problemas estabelecidos pelas constantes e variáveis situações de competição, de forma a concretizar os objectivos pré-estabelecidos para um determinado confronto.
Este planeamento táctico é levado a cabo durante a competição, e traduz-se na capacidade do treinador em estabilizar ou modificar comportamentos dos praticantes ou a equipas, adequando-os em função dos variados contextos em que as situações competitivas ocorrem (lesões, substituições, descontos de tempo, árbitro…).

Etapas do planeamento táctico:
Direcção durante a competição;

A concretização dos objectivos estabelecidos passa inevitavelmente pela hábil capacidade de direcção dos praticantes ou da equipa durante a competição por parte do treinador.Este deve filtrar as informações que considera pertinentes permitindo-lhe decidir de forma rápida e segura em função do resultado, das lesões, das substituições, do árbitro e dos adversários.


Direcção durante o intervalo da competição;

Nesta fase o treinador deve ter 2 grandes preocupações:i) recuperar os seus atletas e informá-los sobre certos ajustamentos ou alterações de forma a manter ou melhorar o seu rendimento.

Na preparação para a segunda parte, o treinador deve utilizar frases curtas, instruções claras, reforçar afirmações, repetir ou reestruturar missões tácticas. A exclusiva chamada de atenção para os erros cometidos não tem qualquer efeito positivo no comportamento dos praticantes.

Acções a ter em conta após a competição;

Após a competição, o treinador deve partilhar com todos o resultado da competição, fazer uma breve intervenção, desdramatizando a derrota ou refreando a vitória, rever as lesões e avaliar o desempenho dos praticantes ou da equipa, não confundindo o rendimento com o êxito ou fracasso.

sábado, 20 de setembro de 2008

OS ALONGAMENTOS

Os alongamentos são exercícios voltados para o aumento da flexibilidade muscular, que promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. O principal efeito dos alongamentos é o aumento da flexibilidade, que é a maior amplitude de movimento possível de uma determinada articulação. Quanto mais alongado um músculo, maior será a movimentação da articulação comandada por aquele músculo e, portanto, maior a sua flexibilidade. Os alongamentos conseguem esse resultado por aumentarem a temperatura da musculatura e por produzirem pequenas distensões na camada de tecido conjuntivo que revestem os músculos.Tanto uma vida sedentária, como a prática de actividade física regular intensa, em maior ou menor grau, promovem o encurtamento das fibras musculares, com diminuição da flexibilidade. O exemplo mais completo de inactividade gerando perda de flexibilidade muscular é a imobilização de um membro após uma fractura. Por um tempo, ao retirar o gesso, por um período de tempo, ocorre a perda quase completa dos movimentos daquele membro. Quanto à actividade física, desportos de longa duração como corrida, ciclismo, natação, entre outros, fortalecem os músculos, mas diminuem a sua flexibilidade. Nos dois casos, a consequência directa desse encurtamento de fibras é a maior propensão para o desenvolvimento de problemas osteomusculares. Provavelmente, a queixa mais frequente encontrada tanto nos sedentários, como nos atletas, é a perda da flexibilidade provocando dores lombares, por encurtamento da musculatura das costas e posterior das coxas, associado à uma musculatura abdominal fraca. Com a prática regular de alongamentos os músculos passam a suportar melhor as tensões diárias e dos desportos, prevenindo o desenvolvimento de lesões musculares.É importante alongar adequadamente a musculatura logo antes de iniciar uma actividade física. Isso prepara os músculos para as exigências que virão a seguir, protegendo e melhorando o desempenho muscular. Além disso, como não é raro que a prática de exercícios provoque dores musculares 24 horas após o seu término, alongar-se imediatamente após o exercício reduz o aparecimento da Dor Muscular Tardia. Pela sua facilidade de execução, a maioria dos alongamentos podem também ser feitos, praticamente, a qualquer hora. Ao despertar pela manhã, no trabalho, durante viagens prolongadas, no autocarro, em qualquer lugar. Sempre que for identificada alguma tensão muscular, prontamente algum tipo de alongamento pode ser empregado para trazer bem-estar.Antes de mais nada, é importante aprender a forma correcta de executar os alongamentos, para aumentar os resultados e evitar lesões desnecessárias. Inicie o alongamento até sentir uma certa tensão no músculo e então relaxe um pouco, sustentando por 30 segundos, voltando novamente à posição inicial de relaxamento. Os movimentos devem ser sempre lentos e suaves. O mesmo alongamento pode ser repetido, buscando alongar um pouco mais o músculo, evitando sentir dor. Para aumentar o resultado, após cada alongamento, o músculo pode ser contraído por alguns segundos, voltando a ser alongado novamente. É a técnica chamada de alonga – contrai - alonga. De uma forma geral, sempre devem ser preferidos os alongamentos estáticos, em detrimento dos dinâmicos, que são o resultado de movimentos amplos e bruscos dos músculos. Ao contrário dos alongamentos estáticos, os dinâmicos, ou também chamados de alongamentos balísticos, propiciam o desenvolvimento de lesões musculares.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A FORMAÇÃO ...

A formação desportiva, para além do respeito pelas características próprias do desenvolvimento do indivíduo, da natureza do contexto em que a actividade se realiza e da especificidade do conteúdo a ensinar, não deve visar uma transmissão rápida de ensino, ou seja nada de performances imediatas. Torna-se pois necessário desenvolver ou criar em cada indivíduo o máximo de possibilidades compatíveis com o seu equipamento biológico e psicológico.
O objectivo da formação desportiva, centra-se no desenvolvimento das capacidades corporais do indivíduo, de acordo com as práticas sujeitas a normas instituídas socialmente através de padrões motores inscritos no domínio da eficiência, ou seja os campeões referência do momento. Valorizar e complementar a educação desportiva do jovem praticante e rentabilizar a progressão do jovem praticante no sentido de o encaminhar para o alto rendimento, promovendo a detecção de talentos serão objectivos sempre a ter em conta por um treinador profissional. Esta formação deverá utilizar todos os tipos de condutas motoras visando uma melhoria da bagagem técnica e táctica.
Na formação desportiva, deveremos também preocupar-nos com os perigos da especialização precoce. Actualmente é tão importante respeitar os níveis de desenvolvimento, afectivo, psicomotor e cognitivo dos jovens, como respeitar as características que o desporto moderno assumiu na sociedade competitiva actual. O perigo da especialização precoce começa logo na aquisição de automatismos, mas, o retardamento do crescimento esquelético, desajustamentos posturais, traumatismos articulares, problemas ligamentares e tendinosos e problemas cardíacos e hormonais, deverão ser tomados em consideração de forma a evitá-los.No global, deveremos procurar uma atenção qualitativa ao reforço da tonicidade e suas repercussões ao nível ligamentar, muscular e tendinoso e dedicar uma maior insistência na educação postural e melhoramento da estruturação espácio-temporal como meio de suporte às exigências da actividade.
As práticas físicas a propor deverão também visar a educação e a formação da personalidade do jovem atleta, pelo que a preparação física assume importância básica. Sem pretender desvalorizar a preparação técnica e táctica, o que determina o nível dos gestos e dos movimentos é sem dúvida a componente física. Torna-se necessário ter em conta este aspecto primordial que deve estar presente em todas as sessões de treino. A preparação física é a base de todas as preparações e deve ocupar um espaço significativo em cada período de uma época desportiva. A preparação física é o nível do desenvolvimento das possibilidades motoras do atleta, obtidas com a repetição sistemática dos exercícios físicos. Significa a melhoria das qualidades motoras, o domínio de uma variedade larga de habilidades e o desenvolvimento dos índices morfológicos e funcionais do organismo em conformidade com as exigências da prática desportiva. O desenvolvimento do processo da preparação física é condicionado por uma série de factores determinantes, como o estado de saúde, o desenvolvimento físico, as aptidões motoras e as qualidades psíquicas.
Como sabemos, toda a técnica e táctica assim como as características físicas resultam das qualidades motoras básicas. Se estas se apresentarem de uma forma deficiente na estrutura biológica do jovem, mesmo com um processo bom de preparação, nunca passaremos de um resultado mau. Consequentemente, o primeiro passo na preparação física é a selecção / avaliação do praticante. A preparação física é trabalhada em duas vertentes, a da preparação física geral e a da preparação física específica. A primeira tenta enriquecer a bagagem motora do praticante. O seu alvo principal é aumentar a capacidade funcional do organismo e desenvolver as qualidades motoras impostas por um determinado nível da preparação dos atletas. É fundamentalmente uma preparação multilateral. A segunda é um processo da manipulação selectiva dos grandes exercícios e habilidades motoras, de acordo com as características do esforço específico da modalidade desportiva e de acordo com as exigências dos resultados. Faz a ligação entre as qualidades motoras e o automatismo da modalidade e entre o desenvolvimento morfológico funcional e a técnica e a táctica da actividade.
Perceber e dominar a preparação física tem de passar obrigatoriamente pelo conhecimento do conceito de CARGA no treino desportivo. E nesta matéria torna-se primordial a atenção para o binómio actividade – repouso. A preparação para cargas elevadas, ou seja o trabalho contínuo de crescimento da carga, deverá ter em conta que o atleta só suportará cargas elevadas, se tiver sido preparado nesse sentido. Significa que teve condições e sobretudo tempo para tal. Nesse sentido o aumento da carga, deverá estar relacionado com o desenvolvimento do atleta para que o seu domínio seja total. Verificamos com frequência que a má gestão do tempo é normalmente o factor determinante. Deveremos ter então em consideração, que a preparação física do jovem praticante assentará nos seguintes dois aspectos:
1. A orientação da carga de treino.
2. Os objectivos metodológicos definidos em função da orientação da carga.
Para o primeiro ponto a carga de treino terá que ser definida em função da caracterização do atleta no que respeita a factores genéticos, crescimento, maturação, níveis da formação, níveis do desenvolvimento das capacidades motoras a caracterização da modalidade desportiva, no campo motor, psíquico e metabólico e da caracterização do quadro competitivo.
Sobre o segundo ponto, e resultante das caracterizações atrás indicadas, deveremos procurar os seguintes três objectivos metodológicos:
1- Sistematização do treino numa perspectiva a longo prazo, com uma identificação profunda dos conteúdos, das metodologias, dos métodos e dos processos do controlo e da avaliação.
2-Organização adequada do desenvolvimento das capacidades motoras, precisando claramente as relações entre volume, intensidade e densidades do treino.
3-Respeito pelo princípio da progressão da carga como um dos mais importantes na melhoria das adaptações funcionais do organismo que levam à melhoria da prática desportiva.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

sexta-feira, 11 de abril de 2008

... FOI ASSIM ...

Tudo (re)começou a 23 de Setembro... Perdemos justamente alguns dos pontos em disputa, nas jornadas iniciais. Mas foi a única coisa que perdemos, não perdemos qualidade, não perdemos humildade, não perdemos fé, não perdemos querer, nem crer e... Ganhamos.
Ganhamos uma enorme vontade de dar a volta por cima e vamos dar. Acreditámos que lá mais para a frente chegaríamos a um BOM FIM. Fomos acreditando, fomos sonhando, nunca pensando nas fraquezas, mesmo sabendo que iriam estar presentes e que na altura em que iríamos necessitar algo nos iria faltar. Acreditámos, vamos continuar a acreditar.
Tou convosco, sempre... em busca desse nosso final feliz.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

TÃO BOM COMO O MOURINHO




Será que existem diferenças?

ENTENDIDOS DE FUTEBOL ...

Foi prelector no Curso de Treinadores que frequentei e costumava dizer: "O futebol é tão simples, que toda a gente pensa que entende o jogo"(Francisco Andrade). Será assim? Qualquer pessoa poderá ser treinador de futebol sem ter formação? Há uns anos atrás, depois do fiasco da selecção nacional no Mundial do México em 1986 e do caso Saltilho, Silva Resende, então Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, escolheu um seleccionador nacional que não era treinador, e contratou Juca para treinador da mesma. O papel do seleccionador era tão somente convocar os atletas, tendo o treinador que os "trabalhar", para os jogos. Assim, Juca ficava limitado pelas escolhas, tendo que se sujeitar à "matéria prima" disponível para que táctica/tecnicamente fizesse as suas opções. Hoje seria impensável uma situação destas. O tempo corre a evolução é constante, todos fazem com que o dia de amanhã seja diferente e melhor, mas há coisas que o espectador e o assíduo acompanhador do fenómeno futebolístico, pelo facto de não ter formação adequada, está em desvantagem nítida e clara, e consequentemente desconhece. Existem também aqueles que são os melhores existem depois os que pensam ser os melhores." "Trabalhar com o Figo é muito fácil, dificil é trabalhar com os que pensam que são o Figo" (Scolari). O trabalho do treinador, além dos aspectos tácticos e técnicos, tem valências a desenvolver que poderão (quase sempre o são) fazer a diferença num jogo de futebol. A saber: preparação física, preparação mental, conhecimento do adversário, condições dos campos, estudo aprofundado da forma de jogar da equipa a defrontar, para além dos condicionalismos que sempre aparecem semanalmente e que podem eventualmente modificar uma ideia pré-concebida para determinado jogo. O treinador sendo o responsável de uma equipa, (em casos é sozinho, sem colaboradores) tem que tomar as opções que entende serem as melhores. Mas muitas vezes quem está de fora, não tem conhecimento do que se passa dentro do grupo de trabalho por forma a entender e traduzir as opções tomadas. Nem sempre os melhores jogadores são automaticamente os titulares. Falhas aos treinos, problemas psicológicos/disciplinares, bem como a estratégia montada para determinado jogo, podem alterar determinada ideia consubstanciada na lógica, se é que ela existe no futebol. Se o futebol não é uma ciência exacta, também não é um livro aberto. No entanto a paixão que o rodeia, muitas vezes fazem-no ser confrontado com opiniões de leigos que não passam de um chorrilho de disparates, exactamente pelo facto de qualquer profissão, ou actividade, ter de ser exercida por quem tem habilitações para o fazer.O "A" mais "B" igual a "C", pode ser uma fórmula para muitas vivências , mas por favor exclua-se o futebol dessa teoria da simplicidade...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

COMO COMUNICAR

A preparação de um jogo começa no fim do anterior e prolonga-se até ao iniçio do mesmo. Assim o treinador deve comunicar com os seus atletas de modo a que estes tenham uma percepção exata do que é pretendido.

Durante a semana:
Preparar o discurso que vai ser utilizado no jogo;
O que se falar durante a semana é o mesmo que se irá falar durante o jogo;
Discurso coerente para não confundir os atletas;
Definir claramente os objectivos para o jogo;
Definir claramente os objectivos dos treinos;
Utilizar um discurso firme e motivador, mostrando sempre ser possuidor absoluto de conhecimento daquilo que diz.

No balneário na palestra do jogo:
Discurso não superior a 10 min;
Realçar os aspectos fortes do adversário;
Realçar no nosso modelo de jogo os aspectos fortes
Palavras de incentivo.

Depois do aquecimento e antes de entrar em campo:
Utilizar frases curtas, muito sintéticas e claramente objectivas, tais como: “serem mais agressivos e pressionantes e ter atitude suficientemente forte”;
Utilizar também a expressão “fazer a situação X que treinamos durante a semana”.

No intervalo:
Utilizar um discurso mais “agressivo”;
Fazer correcções de forma objectiva, dizer aos atletas o que é necessário corrigir e como devem fazer essas mesmas correcções;
Utilizar no diálogo reforços positivos.